segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Celulares limitam a liberdade

Quando vocês ouviam que os celulares eram uma forma de prisão, de restringir a liberdade das pessoas, de não deixá-las ir e vir livremente, ninguém acreditou, não é mesmo.

Pois é, Kimani também não acreditou e olha aí:

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Nota: A notícia é longa, mas vale. especialmente a parte em que descobrimos que mesmo o celular de Kimani fica sem bateria

Do Terra
Segunda, 13 de outubro de 2008, 14h02 Atualizada às 13h58
Elefantes do Quênia enviam mensagens de texto a guardas florestais
Katharine Houreld

A mensagem de texto enviada pelo elefante chegou à tela de Richard Lesowapir: Kimani estava a caminho de algumas fazendas localizadas nas imediações da reserva.

O grande elefante macho tem um longo retrospecto de ataque às safras dos aldeões na época da colheita, e suas ações ocasionalmente podem destruir seis meses de trabalho de uma vez. Mas agora, um cartão de celular inserido em uma coleira enviou uma mensagem de texto aos guardas florestais. Lesowapir, um guarda armado e um motorista se encaminharam ao local ameaçado em um jipe equipado com muitos holofotes, com o objetivo de assustar Kimani e fazê-lo retornar ao território da reserva natural de Ol Pejeta.

O Quênia é o primeiro país a experimentar o uso de mensagens de texto enviadas por elefantes como forma de proteger tanto a crescente população humana do país como os animais selvagens para os quais, diante do crescimento populacional, resta menos espaço para circular livremente. Os elefantes estão classificados como "quase ameaçados" na Lista Vermelha, um índice de espécies de animais vulneráveis compilado pela União Internacional para a Conservação da Natureza.

A corrida para salvar Kimani começou cerca de dois anos atrás. O Serviço de Proteção à Fauna do Quênia já havia se visto forçado, relutantemente, a abater cinco elefantes da reserva natural que vinham se recusando a abandonar seus ataques contra as plantações, e Kimani é o último dos animais que tinham por hábito conduzir esse tipo de ataque. O grupo conservacionista Save the Elephants queria determinar se seria possível levá-lo a abandonar seus padrões de comportamento.

Por isso, colocaram um chip de telefonia móvel SIM na coleira de Kimani e criaram uma "geocerca" virtual em torno da reserva, usando um sistema de posicionamento global que reproduz os limites dessa área. Sempre que Kimani se aproxima desses limites virtuais, o chip instalado em sua coleira envia uma mensagem aos guardas.

Eles já interceptaram o elefante 15 vezes desde que o projeto foi iniciado. Antes acostumado a deixar a reserva quase todas as noites em suas incursões, há quatro meses Kimani não se aproxima dos campos de um agricultor.

É um grande alívio para os pequenos fazendeiros que dependem de suas safras para alimentar suas famílias e as vendem para ajudar a pagar despesas escolares. Basila Mwasu, 31, tem dois filhos e vive muito perto dos limites da reserva. Ela e suas vizinhas costumavam tamborilar em panelas durante toda a noite para tentar assustar os elefantes e mantê-los fora de suas plantações.

Em certa ocasião, um elefante enfiou a tromba para dentro do quarto onde sua filha bebê estava dormindo, e que servia também de depósito para reserva de milho da família. Ela teve de afastar o animal golpeando seu focinho com um graveto em chamas. Em outra ocasião, um elefante matou um vizinho de Mwasu que estava tentando defender sua plantação.

"Nós tínhamos de ir à cidade para informar aos guardas florestais que eles precisavam controlar os elefantes, se não queriam que os matássemos", ela conta.

Mas mesmo assim os elefantes continuavam a retornar ao ataque. Batian Craig, especialista em conservação e segurança na reserva de Ol Pejeta, uma área de 35 mil hectares, diz que programas de desenvolvimento comunitário não são muito úteis caso os agricultores não tenham safras. Ele recordou a ocasião em que 15 famílias tiveram suas plantações destruídas.

"Assim que um agricultor perde seu ganha-pão por seis meses, pouca diferença lhe faz que existam estradas, escolas, abastecimento de água ou qualquer outra coisa", disse Craig.

Iain Douglas-Hamilton, fundador da Save the Elephants, disse que o projeto ainda está em seu estágio inicial - até agora apenas duas geocercas foram instaladas no Quênia - e que o método tem seus problemas.

As baterias que acionam os chips instalados nas coleiras se esgotam depois de poucos anos. Algumas vezes, as comunidades consideram que o fato de que a reserva ou a organização tenham colocado uma coleira no animal implicam em que este seja sua propriedade, e por isso caberia a elas cobrir quaisquer prejuízos pelos estragos causados. E além de tudo o trabalho é dispendioso - Ol Pejeta tem cinco funcionários em tempo integral e precisa de um veículo em prontidão permanente para responder caso o aviso de elefante à solta surja na tela dos guardas florestais.

Mas a experiência com Kimani registrou muitos sucessos, e no mês passado uma nova geocerca foi instalada em outra região do país, para conter um elefante conhecido como Mountain Bull. Moses Litoroh, coordenador do programa de elefantes no Serviço de Proteção à Fauna do Quênia, espera que o projeto possa ajudar a resolver algumas das 1,3 mil queixas que o serviço recebe ao ano sobre ataques de animais às safras.

Os elefantes podem ser rastreados com o software Google Earth, o que ajuda a mapear e preservar os corredores que usam para se mover de uma para outra área protegida. O rastreamento também ajuda a impedir caça clandestina, já que os guardas florestais sabem para onde deslocar seus recursos a fim de proteger os valiosos animais.

Mas a maior vantagem até o momento vem sendo a queda no número de ataques a plantações. Douglas-Hamilton diz que elefantes, como os adolescentes, aprendem uns com os outros, de modo que rastrear e controlar um animal que tenha o hábito de depredar plantações pode gerar mudança de hábitos em todo um grupo.

As duas filhas pequenas de Mwasu podem brincar sob as bananeiras, nas noites quentes, sem que a mãe precise se preocupar com os elefantes. "Podemos conviver", ela diz. "Os elefantes têm o direito de viver, e nós também".

AP

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